Iterações: qual o tamanho?

iteracoes-qual-o-tamanho-rodrigo-zambon-mundo-agilAntes de falar de iterações, vou falar um pouco de escopo e começar com um dado publicado pela Standish Group que diz respeito ao uso das funcionalidades em softwares. Apenas 20% das funcionalidades são utilizadas com frequência, sendo que 80% foram poucas ou nenhuma vez utilizadas1.

A pergunta aqui é: por que isso acontece?

Não só em software, mas em diversos projetos, percebemos que entregamos coisas desnecessárias para o cliente, itens que agregam tão pouco valor que se não estivessem ali, ninguém sentiria falta.

A definição do escopo na abordagem tradicional é feita no início do projeto, e procura-se esgotar o processo. Muitos stakeholders, classificados em uma longa planilha, são ouvidos. As expectativas são levantadas e muitos imaginam que fazendo uma boa definição de escopo o projeto será um sucesso.

Porém na prática isto é um pouco diferente, ou seja, o mapa não é o território2. O quanto antes você encarar a sua realidade melhor. Por isso, no início do projeto, determinar o tamanho das suas iterações pode ser crucial para o sucesso de todo projeto. Pense sempre em primeiro lugar no retorno sobre o investimento do cliente e em segundo, na mitigação dos riscos.

Abraçar cegamente o plano e só ter contato com o cliente no final do projeto certamente é uma estratégia ultrapassada por vários motivos, e como exemplo posso citar os dois principais: só entregar o produto no final e ainda correr o risco de entregar um produto obsoleto.

As iterações mais curtas permitem a equipe do projeto obter feedback mais cedo e consequentemente revisões periódicas com os clientes. Isso irá permitir, primeiro saber se estamos indo para o lugar certo e em segundo se estamos de fato atendendo às necessidades de nossos clientes. A abordagem tradicional atrasa esse tipo de vantagem, até quase sempre, serem irreversíveis. E mais fácil mudar no início onde os custos são mais baratos.

Uma outra vantagem de se ter iterações curtas e adaptadas a realidade do seu projeto é aumentar o foco da equipe. Na abordagem tradicional, faz-se um esforço imenso para se definir é documentar todo o escopo do projeto. Produz-se uma extensa documentação, muitas vezes em processos alucinatórios. Já participei de times que tentavam planejar prazos 5, 6 anos depois da data atual. Acredite 5 ou 6 anos do momento presente em que estamos. Sem dúvida um exercício de futurologia.

Tentar definir todo o escopo antes de se quer iniciar o projeto é um erro. Precisamos levar em consideração no mínimo a premissa que o mundo dos negócios está em constante transformação, muda-se muito rápido. Os cenários que temos hoje, certamente não serão os mesmos que teremos daqui a 5 anos. As necessidades poderão ser outras, mas nós ainda esperamos que os planos não mudem, ou que mudem pouco.

Por isso, empenhe-se nas duas ou três primeiras iterações a estabelecer um período adequado para as iterações restantes. Lembre-se de seguir com o período estabelecido até o final do projeto. Uma boa dica é reservar um tempo para o não planejando e ir ajustando esse tempo com o time. A tendência é que este tempo diminua com a evolução do projeto e com a maturidade do time.

1. Para saber mais sobre este dado leia o post publicado pelo Mike Cohn em https://www.mountaingoatsoftware.com/blog/are-64-of-features-really-rarely-or-never-used

2. O Mapa não é o território é um dos 5 principais pressupostos da Programação Neurolinguística. O Mapa que no caso é o nosso plano de projetos dificilmente corresponderá ao campo em que vamos executar nosso projeto. O cenário é incerto. Contém riscos, cultura organizacional, mudanças tardias e outras causas que podem tirar o projeto do trilho. Para Robert Dilts os melhores mapas são aqueles que nos oferecem mais escolhas.

Servidor Efetivo do Governo do Estado do Espírito Santo. Hoje eu sou Gerente de Processos de Projetos da Secretaria de Gestão e Recursos Humanos. Integro o time de Transformação Digital do Governo e sou responsável pelo Escritório Central de Processos. Sou agilista de coração e de profissão.

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