Pensamento Sistêmico – Espírito Santo

O Lab.ges reuniu no dia 24 de janeiro de 2018 um time de especialistas para debater a pergunta focal: “Como mitigar a extrema pobreza no Espírito Santo nos próximos 20 anos?”. A oficina adotou como base o Pensamento Sistêmico para expandir e encontrar pontos de alavancagem para atuar no problema.

Durante a oficina, os participantes contaram com três especialistas do Governo do Estado para apresentar o tema, dados históricos e as ações que o governo já faz para mitigar o problema. O objetivo dos contextualizadores, nome dado a estes especialistas, foi auxiliar os participantes a entenderem as características da temática para posterior construção dos mapas.

Em relação ao pensamento sistêmico, foi feita uma breve introdução sobre como a disciplina poderia ajudar a encontrar as relações entre os principais drivers que compõem o problema. Buscou-se também, contar com a criatividade dos participantes para encontrar soluções não obvias, nunca pensadas ou pouco exploradas, advindas das relações de causa e efeito presentes nestas relações.

Estas relações de causa e efeito, no pensamento sistêmico são sutis e não lineares, muitas vezes os efeitos tem delays que só serão percebidos ao longo do tempo, sendo que estas ações podem provocar efeitos em outras partes do sistema. Durante a oficina, os participantes foram direcionados a pensar por processos e não a ver a cena de forma estática. A Extrema Pobreza é um problema complexo, no qual nem sempre as relações de causa e efeito são imediatos.

Cada contextualizador falou por 30 minutos sobre o tema, tanto da perspectiva das métricas, números e tendências, quanto da parte social e sobre os programas de governo para transferência de renda e inclusão produtiva. Na fase de apresentação do tema, os participantes já detectaram alguns padrões que acontecem ao longo do tempo. Ficou claro o looping das pessoas nesta situação, que hora saem da extrema pobreza e com o passar do tempo retornam a condição. Outro fator relevante é o ciclo geracional em que os avôs, pais e filhos permanecem neste cenário.

Durante a oficina, com 8 horas de duração, os participantes receberam uma explicação introdutória sobre pensamento sistêmico, suficiente para a construção das relações de causa e efeito e a identificação dos loops de reforço e balanceamento. A ideia básica de uma estrutura é identificar que tipo de influência uma variável tem sobre a outra. Se eu tenho duas variáveis, só existem duas formas da primeira influenciar a segunda:

Influência positiva, onde a primeira variável, influencia diretamente segunda. Esta relação nós vamos identificar com um sinal de (+). É uma relação direta onde as duas variáveis se movimentam na mesma direção. Eu aumento uma e a outra aumenta, ou diminui a primeira e a segunda também diminui. Podemos indicar também com uma seta cheia.

Influência negativa, onde a primeira variável influência a segunda de forma inversa. Esta relação nós vamos identificar com um sinal de (-). É uma relação inversa onde à medida que eu aumento uma variável, a outra diminui. Podemos indicar com uma seta tracejada.

Durante a explicação teórica foram apresentados também os seguintes arquétipos: soluções que falham, limites ao crescimento, escalada, tragédia dos comuns e adversários acidentais.

Dinâmica

Na parte da tarde, cada grupo contou com um system thinker para auxiliar na construção dos mapas e identificação dos loops. Durante uma hora e meia cada grupo trabalhou na identificação dos drivers e como cada um influencia o sistema. As discussões foram extremamente produtivas e possibilitou a expansão do problema para além do pensamento linear. No final, cada grupo apresentou o seu mapa e as conclusões. No final da oficina, cada grupo sugeriu  um ponto de alavancagem para intervir no sistema.

Para realizar esta dinâmica, foram capacitados 5 pensadores de sistemas com o objetivo de auxiliar os grupos na identificação de loops e arquétipos. A próxima etapa será a formação de um grupo de trabalho para construir o mapa e uma narrativa. A intenção é incluir o pensamento sistêmico como uma disciplina regular para atuação nos problemas complexos de governo, formulação de programas e planejamento por cenários.

Galeria de Fotos

Servidor Efetivo do Governo do Estado do Espírito Santo. Hoje eu sou Gerente de Processos de Projetos da Secretaria de Gestão e Recursos Humanos. Integro o time de Transformação Digital do Governo e sou responsável pelo Escritório Central de Processos. Sou agilista de coração e de profissão.

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